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17/02/2012 - 14:33h
os truques das passistas para o Carnaval: da "misturinha" ao "emplastro Sabiá", passando pelo "fio da morte"
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Fonte: UOL

Quem vê as passistas desfilando impecáveis nos sambódromos durante o Carnaval pode até imaginar como é difícil ostentar tanta beleza, mas não sabe o quanto.  

Os truques usados pelas beldades da folia podem assustar os menos iniciados, mas o UOL conversou com especialistas no assunto e desvendou alguns macetes que as musas aplicam nos dias de folia.

 “Todo mundo que sai da avenida acaba se machucando um pouco”, conta Cintia Mello, de 24 anos, a primeira princesa do Carnaval de São Paulo e destaque da Império de Casa Verde. “A virilha, o pé ou a cabeça: um desses vai sair machucado.” As que mais sofrem, ela garante, são as novatas.

“É uma loucura que a gente faz para 60 minutos de fama”, resume Gisele Alves, referindo-se a uma estimativa do tempo de desfile das escolas. Aos 42 anos, ela já trabalhou com tantas escolas de samba que não sabe dizer todas. Este ano, ela sairá na Tom Maior e na Mocidade Alegre, em São Paulo.

Para manter a pele bronzeada, as coxas firmes e – mais importante – a celulite imperceptível, há passistas que apelam para misturas que envolvem géis, óleos e até laquê fixador de cabelos ou colas. Veja abaixo os principais macetes que as musas aplicam nos dias de Carnaval.

"Misturinha"
Cintia inventou a sua própria "fórmula mágica": a “misturinha”, que serve para dar firmeza e um aspecto bronzeado à pele. “Um dia eu estava em casa e precisava tirar fotos, mas era inverno, não tinha tomado bronze”, conta Cintia. “Fiquei desesperada, a pele fica manchada [quando é assim]. Aí eu fiz uma mistura de tons de sombra e pó compacto. Estraguei muito material até chegar à fórmula ideal”. Cintia consegue um rendimento extra vendendo a “misturinha” por R$ 50 o pote.

Thainara Primo, de 26 anos, é destaque do último carro da Gaviões da Fiel e uma das fãs da misturinha de Cintia. “A pele fica uniforme e com uma cor bem bonita, bronzeada. Sem mancha, estria, não aparece nada”, diz ela. Thainara diz que Cintia a ensinou a fórmula e que ela também a produz. A musa da Gaviões avisa que a substância não arde, mas demora para sair. “Leva uns dois, três dias para tirar do corpo, totalmente. Tem que esfregar com esponja vegetal”, conta.

Gel cola e óleo
É Thainara que revela ao UOL mais uma “misturinha”: gel cola e óleo. Uma amiga que há tempos não malhava – “e estava com o corpinho mole” – garantiu à musa que a técnica funciona. “Ela me disse, ‘Nega, passei gel cola e não balançou nada!’. É que o gel é duro, consistente também, né?”

Da cabeça para o corpo
O laquê, spray para fixação dos cabelos, é utilizado pelas passistas para fixar as coxas, bumbum e outras partes do corpo. A preparação quem explica é Gisele Alves: “Passa-se um óleo no corpo e parafina, que é usada no banho de lua”, diz ela, referindo-se à técnica aplicada para clarear os pelos do corpo. Em cima, joga-se o laquê.

Há um porém. “Parafina e óleo não combinam, se colocar um ou outro demais, fica branco”. Gisele avisa que o procedimento pode se repetir várias vezes se a mulher for muito flácida.

Algumas passistas também colam bijuterias e pedras coloridas diretamente na pele com cola de alta fixação.

  • Cintia Mello, da Império de Casa Verde

"Fio da morte"
Já o fio da morte é mais complicado ainda. Gisele entra em detalhes apesar do nome quase auto-explicativo: “Às vezes machuca e a dor é de morrer. Dependendo da forma como amarra, incomoda na virilha e no ânus”. Há outros nomes mais carinhosos que podem enganar as menos iniciadas em Carnaval: cordão cheiroso é um deles.

A amarração é complicada. A passista deve colocar primeiro uma calcinha pequena ("bem de piranha", aconselha Thainara) e depois uma meia-calça, que disfarça a flacidez e deve ser parecida com a cor de sua pele. Em seguida, vem o "fio", que é uma meia-calça velha ou o cós de lycra de outra meia (essa é a parte "grossa" da meia, parece um "shortinho"). Ele deve ser posicionado na cintura, horizontalmente, entre o umbigo e as partes íntimas.

A passista prende-o nas alças da calcinha. Uma parte do fio irá "sobrar" em cada lado do corpo. Em seguida passa para trás do corpo as duas partes e por entre os glúteos. Depois, pega as duas partes na frente e as amarra na parte do fio que foi posicionada na cintura. O cós da meia-calça que a passista tem nas pernas será enrolado, para que a barriga possa aparecer.

"Emplastro Sabiá"
Mas não é só de bronze que a passista vive. Para as que desfilam quase nuas, é importante não deixar a genitália aparecer para não fazer a escola perder pontos. O "emplastro de sabiá", como Gisele Alves chama o Emplastro Poroso de Sabiá da marca Johnson&Johnson, ajuda nessa função, mas também não é fácil de suportar.

Ele vem com medicação, para ser usado em contusões, o que tem suas consequências. “Quando coloca lá dá uma ardência porque é mentolado, não é pra isso”, avisa Gisele.  O desconforto não dura muito e depois de colocado, é preciso aplicar um pouco de base ou pó da cor da pele.  O sufoco mesmo vem depois. “Tem que tomar cuidado porque na hora de arrancar, você vai morrer”, diz Gisele.

Alerta vermelho
Os perigos desses truques podem ultrapassar o desconforto momentâneo que se junta à hora do brilho na avenida.

Alexandre Pupo, ginecologista do Hospiral Sírio-Libanês, em São Paulo, explica que o emplastro de sabiá pode causar ferimentos e lacerações na pele da vulva ao ser retirado, já que o tecido na região é mais frágil. Com o fio da morte, o emplastro apresenta um problema em comum: o calor e a umidade, que podem causar infecções. “A meia-calça está o tempo todo recebendo suor, com o passar o tempo, proliferam as bactérias. As secreções acabam se misturando e pode ocorrer infecção urinária e vaginal”, conta o médico.

O dermatologista Jardis Volpe diz que todos truques como o do gel cola representam riscos para a saúde da pele, “uma vez que produtos que não são apropriados para serem aplicados diretamente na pele são usados para esse fim”.

Jayme de Oliveira filho, conselheiro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que vários problemas podem ocorrer com o uso na pele de produtos que obstruem as glândulas sudoríparas, que expelem o suor. A pele fica também mais sujeita à miliária, uma obstrução dessa glândula que se manifesta como uma brotoeja e provoca coceira.  “Se não trata, ela pode infeccionar e ocasionar foliculite, uma inflamação da miliária. Pode até evoluir para uma infecção bacteriana com furúnculos”, explica o médico.

Para quem é mais sensível, os riscos aumentam. “Pode ocorrer vermelhidão, coceira, descamação da pele, e pode inclusive ocorrer disseminação para outra áreas.”

As colas são um caso à parte. “Pode dar ulceração, ou seja, a pele é arrancada, forma uma ferida mais profunda.” Jayme avisa que a chance de alguma dessas complicações ocorrer é muito grande. “Não é algo difícil, super raro."

Quem está na avenida...
E qual desses truques Gisele vai usar? “Nenhum! Eu vou desfilar seminua!”, diz ela, referindo-se à sua participação na Mocidade Alegre. Para esta tarefa, os truques já são mais manjados. “Eu estou malhando muito, tomando muito sol para não ter que usar nada disso!”

  • Angela Bismarchi é fã da malhação e da boa alimentação na hora de se preparar para o sambódromo

Angela Bismarchi, destaque em 2012 da Mocidade Independente de Padre Miguel, diz não ser fã de nenhum desses macetes. “Na verdade, meus truques são fazer exercício o ano todo, manter uma alimentação regrada e, no máximo, passar um oleozinho para deixar pele mais bronzeada”. Manter por perto uma segunda calcinha da cor da pele e com laterais de silicone também não é mau pedido. Do laquê nas coxas, Angela passa longe: “isso é para mulher que é flácida”.

Mesmo com tanto truque, ainda há problemas a serem superados pelas musas da avenida. “A sandália é o píor de tudo”, garante. Para isso, Thainara Primo aconselha a técnica do jornal molhado com álcool para amaciar o sapato antes do desfile. “Não sei o porquê do álcool, só sei que funciona!” Já Bismarchi traz uma dica pós-desfile. “Tenho que colocar os pés na banheira com água e sal quando chego da avenida”, conta.

Angela acredita que não é possível contornar alguns problemas, mas que tudo faz parte do desafio de ser passista. Para quem prefere fugir do fardo, Angela tem apenas um conselho: “Quem tá na chuva é pra se molhar.”


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